Brasões de Família não existem

Post fixo

O título é auto-explicativo. Mas eu vou repetir, para ajudar a fixar. Brasões de Família não existem. Então não jogue o seu dinheiro no lixo.

A comunidade heráldica internacional é unânime, e nós no Heráldica Brasil também precisamos ser: Brasões são concedidos a pessoas, e não a famílias. O que existe é o brasão pessoal, que é passado de pais para seus filhos através de herança, como um livro, um quadro ou qualquer outra propriedade. Igualmente, isto vale também para os brasões das famílias reinantes nas monarquias modernas. Para a Heráldica, as armas não pertencem à família e muito menos ao estado, mas sim ao monarca como chefe de estado. Afinal governa-se em nome dele. E os seus parentes recebem brasões criados a partir do dele, como em todas as famílias armoriadas. E após a sua morte, as suas armas passam para o seu filho e sucessor no trono.

E como eu sei se tenho direito a um brasão?

Apenas através de pesquisa genealógica você pode descobrir se algum de seus ancestrais recebeu carta de brasão de algum monarca ou colégio heráldico. Caso não encontre, você não possui herança heráldica, o que não é um problema, afinal é o caso da maioria das pessoas. Não possuir parentes armoriados não te impede de criar o seu próprio brasão.

Entretanto, você NÃO PODE usar o brasão de alguém que não tem nenhuma ligação familiar com você. Isso é desonesto, além de ser de péssimo gosto.

O François Velde, idealizador do heraldica.org, cravou uma vez a seguinte máxima:

François Velde, sobre Brasões de Família.
Originalmente publicado no grupo Heráldica Brasil, no Facebook.

Apoio aos criadores

Senhoras e senhores, tendo recebido algumas denúncias de plágio e vazamento de material de criadores do grupo para mãos mal-intencionadas, a administração vem esclarecer algumas informações:

A questão é…

O Heráldica Brasil não compartilha e não compactua com pirataria de livros, ebooks ou materiais de desenho heráldico. Todo o material utilizado, citado e apresentado no blog ou nas publicações da administração cumpre as políticas de direitos autorais vigentes. Podemos citar como exemplo:

A imagem da capa do grupo (e também do blog) é uma página do Armorial de Bellenville, que está em domínio público há centenas de anos, e que foi digitalizado pela Biblioteca Nacional da França.

Armorial de Belenville, Folio 50.

Armorial de Bellenville, Folio 50. Digitalizado pela Biblioteca Nacional da França.

O desenho do brasão que adorna a capa e o avatar do grupo tem algum material proveniente do Wappenwiki e do Servidor do r/Heraldry no Discord, e foi produzido sob uma licença Creative Commons, corretamente informada.

Brasão do Heráldica Brasil com Assinatura

Brasão do Heráldica Brasil, construído com materiais do Wappenwiki e do r/Heraldry.

Outros materiais, como a Biblioteca de ebooks do Instituto Paraibano de Heráldica e Genealogia e os Cadernos do Barão de Arede foram gentilmente cedidos pelos detentores do copyright, e para estes, a administração mantém as devidas autorizações em arquivo.

Compreendemos que a pirataria na internet é prejudicial aos verdadeiros criadores do trabalho, e deste modo causa prejuízo, não apenas financeiro. Encorajamos as pessoas a distribuírem seus estudos e obras livremente, pelo bem da arte. Porém sabemos que nem sempre é possível, e então apoiamos os criadores desta forma.

Como decidimos lidar com isto, pelos criadores?

Reafirmamos incondicionalmenteo nosso compromisso de fornecer fontes o mais exatas possíveis para todas as nossas publicações, mesmo as retroativas. Assim, se encontrarem pelo blog alguma imagem ou citação sem fonte, não hesitem em nos comunicar e faremos a correção o mais breve possível. Nossa posição quanto ao plágio é completamente imutável e será mantida a despeito de quaisquer circunstâncias.

Ainda com isto em mente, a administração do Heráldica Brasil emendou as regras do grupo com o seguinte artigo:

Para garantir a integridade do Heráldica Brasil e proteger os direitos de autor dos criadores de conteúdo, qualquer membro que for denunciado por desviar informação com fins prejudiciais aos seus criadores e ao grupo será EXCLUÍDO IMEDIATAMENTE, sem direito a apelação.

Entendemos que esta medida não é suficiente para o fim do plágio, no entanto esperamos aliviar, ao menos um pouco, a ocorrência deste.

Sem mais, agradecemos a paciência.

A administração.

Na biblioteca: Elucidario Nobiliarchico

Adicionando mais volumes à Biblioteca do Site nesta segunda! O Elucidario Nobiliarchico foi uma publicação capitaneada por Afonso de Dornelas, fundador do nonagenário Instituto Português de Heráldica. O IPH, ainda que não responda às minhas mensagens, é uma instituição de grandessíssima valia para os interessados em Heráldica Luso-Brasileira. Falta-lhes, contudo, uma presença virtual mais forte, como a maioria das instituições heráldicas do século passado.

Selo IPH tratado - Elucidário

Selo do Instituto Português de Heráldica.

O Instituto foi fundado em Julho de 1929, enquanto Dornelas publicava a segunda edição do Elucidario. Decerto, esta terá sido a razão de não termos tido mais edições. Esta publicação foi substituída pela revista Armas e Troféus, publicação do IPH que é editada até os dias atuais.

O Elucidario Nobiliarchico foi uma edição fasciculada, um método de publicação que parece ser recorrente entre as obras heráldicas dos primeiros trinta anos do século passado. As publicações eram mensais, e foram publicados vinte e quatro fascículos. O primeiro volume é de 1928, e o segundo de 1929. Ao fim das doze publicações de um ano, contudo, elas poderiam ser compradas todas juntas. Por uma módica quantia, ainda podiam ser encapadas a couro.

O Elucidario dividia-se primariamente em duas seções: A primeira, de heráldica de domínio das cidades portuguesas, imagens e descrições de cartas de armas

Tendo já se passado mais de setenta anos do falecimento de Dornelas, suas obras passam a ser de domínio público. Para honrá-lo e demonstrar gratidão pelo seu trabalho, dedicamos esta publicação à sua memória. Que possa esta publicação alcançar a todos os leitores e que saibam estes quem foi seu editor. Ainda mais, que conheçam seu contributo para a Heráldica.

A edição que adquirimos, evidentemente digital, é uma digitalização dos vinte e quatro fascículos originais, pertencentes à Hemeroteca Municipal de Lisboa. Felizmente, está em ótimas condições. De facílima leitura. Clique no link abaixo para ir até a seção da biblioteca onde se encontram os volumes.

Elucidario Heraldico (1928-1929)

Em tempo, mais edições serão adicionadas esta semana. Também aceitamos sugestões e volumes digitais para serem adicionados. Se você possuir um volume autoral ou em domínio público que queira compartilhar, basta enviar para nós que adicionaremos à Biblioteca do site. Não podemos adicionar livros protegidos por direitos de autor, afinal não queremos ser tirados do ar por pirataria.

Boletins do College of Arms, 56 e 57

College of Arms, Londres. Foto por Georgia Evelyn Stants

O College of Arms, Autoridade Heráldica da Inglaterra, do País de Gales e de boa parte da Commonwealth, produz um boletim trimestral com notícias sobre novas armas concedidas. Noticia ainda palestras oferecidas por seus Reis de Armas e faz visitas aos arquivos da instituição.

Esta Newsletter é encaminhada por e-mail para todos que subscrevam, no entanto também pode ser acessada no site do College. Tenho o hábito de ver os meus e-mails sempre de manhã cedo, e para isso, esta newsletter é muito boa. Sua periodicidade me dá, afinal, tempo suficiente para limpar a minha caixa de entrada antes de recebê-la. Desta vez, a correria de fim de ano me impediu de publicar a edição 56 antes. As edições 54 e 55 estão disponíveis também.

Boletim do College of Arms, 56

A newsletter de outubro trouxe como destaque o papel do College na proclamação da paz após o Tratado de Versalhes. Há ainda a promoção de uma “breve exposição” sobre a Primeira Guerra, feita em outra página do site. Esta que apresenta brasões concedidos na época, assim como documentos relativos ao trabalho dos arautos britânicos durante a guerra.

Boletim do College of Arms, 57

Armas do 1º Visconde Allenby, marechal de campo Edmund Allenby (1861-1936). Os suportes, um cavalo e um camelo, simbolizam aspectos de sua carreira militar: ele comandou a divisão de cavalaria da Força Expedicionária Britânica na Frente Ocidental, depois de 1917 foi Comandante-em-Chefe da Força Expedicionária Egípcia na Palestina.

O segundo boletim chegou hoje de manhã bem cedo, e traz um caso bem curioso. Um diplomata britânico na Pérsia, Sir Harford Jones, então recentemente enobrecido como Baronete Boultibrook, recebe uma incomum condecoração. Nada menos que o direito de usar as armas do Império Persa! Certamente uma história bem interessante. A qual podem acompanhar seguindo o link abaixo:

Boletim do College of Arms, 57

Para além disso, as usuais novas concessões heráldicas, sempre executadas de forma belíssima, e sempre renovando. Desta vez, há umas armas com barras de alumínio e outras com um abacaxi no timbre. O College of Arms é a prova viva de que a heráldica não é uma ciência morta. Aliás, está vivíssima e fazendo-se cada dia mais moderna. Há ainda uma pequena nota in memoriam ao falecimento de um antigo Rei de Armas da Jarreteira. Sir Conrad Swan, que faleceu no início do mês, foi lembrado pelo boletim.

Um brilhante manuscrito

Primeiramente, quero desejar um feliz ano novo a todos vocês! Estamos começando mais um ano no Heráldica Brasil, que será de muitos planos, ideias para colocar em prática, novidades na biblioteca e muito mais! Para iniciar o ano, teremos algo bem especial. Vamos passar por Roma, por Portugal, pela Índia e vamos até o Japão com um único manuscrito.

Encontrei um belíssimo manuscrito entre as minhas antigas publicações na página do Facebook. Olhando-o novamente, percebi que estava deixando passar não só um belíssimo documento histórico, mas uma peça heráldica de valor inestimável.

Carta do Vice-Rei da Índia, Duarte de Meneses, ao Daimyō do Japão, Toyotomi Hodeyoshi
O Manuscrito de Meneses a Hideyoshi.

Ao mui alto e poderoso Kwambaku-dono, (escreve) Dom Duarte, Vice-Rei da Índia.

Como quer que pela distância das terras não houve até agora entre nós comunicação, todavia pelas cartas dos padres que estão nesses reinos de Vossa Alteza soube a grandeza de vossas vitórias e obras e a fama e nome, que ainda nas partes que estão mui longe se ouve de Vossa Alteza e como sujeitou a seu império os maiores senhores e reinos das quatro partes do Japão, coisa que nunca fora ouvida desde os antigos até agora, o que sem dúvida é admirável o favor do céu e coisa de grande admiração, de que grandemente me alegro.

Soube também que os padres que estão nestes reinos recebem muitos favores de Vossa Alteza, e com o resplendor de seu favor, vão promulgando, pregando e ensinando a lei para salvar os homens, os quais são religiosos destes reinos dignos de veneração, que conforme a seu instituto passam a todas as partes do mundo para ensinar o verdadeiro caminho da salvação, e ao saber deles os favores que Vossa Alteza lhes faz, me tenho alegrado muito.

E por eles me pedirem que escrevesse a Vossa Alteza, e lhe mandasse um embaixador dando-lhe as graças disto, folguei de o fazer. E porquanto o Padre Visitador estes anos atrás foi outra vez a esses reinos de Vossa Alteza e é conhecido nessa terra, lhe encarreguei esta embaixada, e peço a Vossa Alteza que que daqui em diante mais e mais o queira favorecer. E podendo destes reinos servir a Vossa Alteza em alguma coisa folgarei muito de o fazer.

Em sinal de amor mando a Vossa Alteza dois montantes, dois corpos de armas, dois cavalos com seus arreios, dois pistoletes e um terçado, dois pares de guadamecis dourados e uma tenda para campo.

Feita nestes reinos da Índia no mês de Abril do ano de 1588.

Vice Rei da Índia

Afinal, que manuscrito é esse?

Este manuscrito é uma carta de Duarte de Meneses, Vice-Rei da Índia, ao Daimyō do Japão, Toyotomi Hideyoshi. A transcrição e a adaptação são nossas. A carta, toda cheia de mesuras e cortesias, merecia uma discussão por si só, se pensássemos no contexto histórico, cultural e social em que foi escrita. Segundo fontes de história japonesa, ao contrário do que a carta faz parecer, Hideyoshi era extremamente hostil aos cristãos. Supõe-se, então, que Duarte de Meneses oferecia-lhe presentes como forma de tentar intercedes pelos missionários portugueses que lá iam pregar. Mas há ainda mais coisa que faz deste documento uma peça única. E para mim, deveria receber a atenção de todos os heraldistas. Notem a quantidade de insígnias existentes. Pelas minhas contas atuais são seis, deixando de contar as que se repetem.

Contando a História Romana aos Japoneses

No canto superior direito da imagem, há um escudo de vermelho, com uma cruz e a divisa SPQR posta em banda entre dois filetes do mesmo, tudo de ouro. Armas estas que representam tradicionalmente o Senado Romano. Até os dias atuais, estas armas, sem os filetes, são as armas de Roma. 

No canto superior esquerdo, um escudo de azul com um contrachefe cosido de verde, sobre o qual uma loba de sua cor amamenta dois bebês humanos de carnação. Estas armas referem-se à fundação de Roma, e uma versão similar é apresentada, posteriormente. No primeiro Thesouro de Nobreza de Francisco Coelho Mendes, Rei de Armas Índia, produzido cerca de noventa anos depois, veem-se armas similares.

O Heraldry of the World tem uma página dedicada as armas relatadas à Cidade Eterna. Recomendo a visita nos links deste parágrafo.

Mais para o centro da parte superior do manuscrito, vê-se um terceiro escudo, de vermelho, com um raio de ouro, característico da Legião Romana. E há ainda um quarto, de azul, com uma cabeça de leão de ouro. Quanto a este, eu infelizmente não tenho informações. No entanto, se alguém souber de algo, esteja sempre à vontade para entrar na conversa.

Um Brasão para o Vice-Reino da Índia?

Supostas Armas do Vice-Reino da Índia no manuscrito.

Outro brasão do qual eu não tenho notícia anterior ou posterior é o quinto, que aqui aparece nas duas laterais da carta. Eu o leria como um escudo de azul, um crescente de ouro, contendo cinco besantes de ouro, postos em sautor. A interpretação me parece simples aqui. São as quinas de Portugal, acompanhadas por um crescente, símbolo comum no levante. Minha teoria é de que sirvam para representar, ainda que de forma extra-oficial e nunca registrado, o Vice-Reinado da Índia. Pode-se notar muita coisa na imagem ao lado.

O timbre destas armas é de fato, um mistério. Posso perceber figuras como de um elefante e uma tartaruga ou serpente. A minha teoria é que este timbre alude ao mito hindu das criaturas que sustentam o planeta em suas costas: A tartaruga (ou serpente) e o elefante. Mais sobre esse mito, que é de fato pouquíssimo conhecido, eu encontrei no blog Índia, um país místico.

Contatos entre a heráldica ocidental e a “heráldica oriental”

No entanto, ainda que tenhamos passado por Roma e pela mitologia Hindu, não é ainda o fim. A insígnia mais interessante deste manuscrito não é exatamente um brasão. Vejam dentro do C capitular, numa espécie de escudo redondo. E reparem ainda como o próprio C é coroado por um arco adornado de pedras na ponta central.

Na verdade, esta é a representação de um emblema, ou em japonês, mon. O uso de Kamon (Mons clânicos) é bastante comum entre as classes superiores japonesas durante o período Sengoku. Este período, também conhecido como “Era dos Estados Beligerantes”, nos séculos XV e XVI, ficou famoso mundialmente por seus samurais.

E é justamente na época em que Duarte de Meneses está na Índia, como vice-rei, que Toyotomi Hideyoshi é o Shogun mais poderoso do Japão. O emblema que vemos na Carta intenciona representar o mon adotado pelo Clã Toyotomi, que em japonês, é chamado  Go-shichi no kiri (Em tradução livre, paulownia de cinco e sete). Hoje, este mon é utilizado pelo gabinete do Primeiro-Ministro do Japão.

Goshichi no Kiri
Emblema do Primeiro Ministro do Japão.

Revista do IPGH 20

Mais um volume da Revista do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica saiu recentemente. Desta vez, como membro correspondente, recebi uma cópia, que chegou às minhas mãos hoje cedo. Rapidamente, antes mesmo de publicar aqui, já fiz publicidade no grupo Heráldica Brasil, lá no Facebook. Ainda há exemplares à venda. Se estiverem interessados em adquirir uma cópia, podem entrar em contato com a Diretoria do IPGH através do grupo do Instituto no Facebook.

Revista IPGH 20

Este ano a faculdade não me deixou tempo para a publicação, porém na edição 21 quero ter artigos publicados novamente.

Além da versão impressa, o amigo e atual presidente do IPGH, Teldson Douetts Sarmento, publicou também a versão online, a qual disponibilizamos também aqui em primeiríssima mão, com sua anuência. Aproveitem a leitura:

Revista do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, 20

Igualmente, esta edição também já adicionamos à nossa Biblioteca, onde vai fazer companhia a vários outras edições da Revista do IPGH. Então, para ter acesso a todas elas e a mais algumas publicações heráldicas selecionadas, basta clicar neste link e conhecer a nossa biblioteca!

Galeria de Brasões do Arquivo Nacional

A Galeria de Brasões do Arquivo Nacional está disponível no Flickr, um site de hospedagem de imagens.

Eu não tenho notícia se o Museu Nacional tinha muitas obras heráldicas, porque infelizmente não moro no Rio de Janeiro. Mas a perda do Museu para um trágico incêndio, no mês passado, me fez questionar ainda mais a validade do nosso sistema de arquivos atual, a forma com que arquivamos as coisas.

O que fazer com estes arquivos?

Papel é algo inflamabilíssimo, e deve ser tratado com muito mais cuidado do que os excelentes governantes da nossa querida pátria de 1889 para cá, que tanto se preocupam com a nossa história (e sim, estou sendo completamente irônico) o dispensam. Como ainda não tenho condições de manter um arquivo físico, tenho expandido a nossa Biblioteca sempre que possível, e para hoje, trouxe um conteúdo novo.

O Arquivo Nacional do Brasil disponibilizou recentemente, em sua página no Flickr,  algumas imagens de brasões de seu acervo, dos períodos Colonial e Imperial. Para garantir que isto não seja perdido, caso alguma mudança política venha a afetar o acervo do Arquivo, resolvi fazer, neste humilde pasquim heráldico, uma réplica de tal galeria.

Confiram as imagens da galeria disponibilizadas abaixo.

Brasões do Arquivo Nacional

Com informações da página da International Order Knights of Thunderbolt, uma incomum confraria que apareceu pelo meu feed do Facebook, recentemente.

 

Errata: Eu havia escrito Museu Histórico Nacional. Alertado pelo grande Renato Moreira Gomes, corrijo-me pois, informando que o MHN está “bem”. Quem queimou foi o Museu Nacional.

Entre no Grupo Heráldica Brasil do Facebook!

Nosso grupo do Facebook está chegando aos 400 membros! São 387 membros no momento, tendo acesso a novas discussões sobre heráldica, compartilhando dúvidas e conteúdos com pessoas de todo o Brasil e do exterior. Enfim, aprendendo mais sobre a ciência heroica! Junto com a Biblioteca, é dos meus maiores orgulhos!

Entre as minhas tarefas como administrador, está garantir a entrada de membros que realmente estejam interessados no tema, filtrando as solicitações e deixando passar apenas os interessados em Heráldica, colocando pra fora os vendedores de quinquilharias e os deslocados fazendo propagandas não relatadas, como de serviços de limpeza de piscinas. Dessa forma, garantimos sempre o melhor conteúdo e muito aprendizado!

Para garantir o interesse das pessoas eu mantenho dois critérios:

Primeiro, Confiança. Quando alguém convida um novo membro, eu analiso brevemente os setores públicos do seu perfil, e encontrando referências heráldicas suficientes, o novo membro é aceito, pela confiança que eu tenho de que um membro já no grupo não adicionaria alguém que não tem interesse.

E segundo, Autodeclaração. Se alguma pessoa deseja entrar no Heráldica Brasil, ainda que não seja apadrinhada, ela será aceita. Seria contraproducente e completamente contrário ao que acredito colocar um limite nos membros do grupo. No entanto, a fim de garantir a organização do grupo e que todos encontrarão exatamente o que procuram, atualmente temos duas pequenas perguntas são feitas a todos que solicitam entrada. Sem estas respostas, os solicitantes não podem entrar no grupo.

As perguntas para entrar no grupo são bem simples!

“Descreva, resumidamente, seu interesse em Heráldica” e “O que você espera encontrar no Heráldica Brasil?”. A fim de facilitar, você pode inclusive usar os textos da imagem abaixo como guia para suas respostas:

Respostas possíveis para entrada no grupo.

Por ser parte do meu desejo de propagar a heráldica, o grupo já está definido como público! Você já tem acesso a todo o conteúdo sem precisar entrar. No entanto, respondendo apenas estas duas perguntas, você passa a um novo nível, podendo passar fazer parte da discussão, tirar dúvidas, apresentar suas opiniões e é claro, aprender bastante!

Então, se você já pediu entrada, mas ainda não respondeu as perguntas, basta ir até lá novamente e responder. Assim, um Heráldica Brasil completamente novo se descortinará para você!

Cadernos “Barão de Arêde” na Biblioteca

Mais novidades sempre que possível, esta é a meta. Hoje, os Cadernos de Genealogia e Heráldica do Barão de Arêde foram adicionados a Biblioteca.

Monograma do Barão de Arêde Coelho. Imagem da Capa dos Cadernos.

Monograma do Barão de Arêde Coelho. Imagem da Capa do Caderno.

A Revista do Centro de Estudos de Genealogia e Heráldica Barão de Arêde Coelho é uma das melhores publicações heráldicas em língua portuguesa desta década. Dirigida pelo próprio Barão, Luís Soveral Varella, conta com escritos de grandes nomes da Heráldica Portuguesa dos nossos dias. Escreveram  para o Caderno nomes como Óscar Caeiro Pinto, Luís Camilo Alves, David Fernandes da Silva e Segismundo Pinto, além de tantos outros excelentes heraldistas do lado de lá do Atlântico, assim como o próprio barão.

Todos os volumes estão atualmente disponíveis no site do Centro, todavia solicitei a autorização do barão para copiar o conteúdo para a nossa Biblioteca, e com sua pronta aceitação, lá já estão, numa pasta própria, as sete edições já lançadas do Caderno.

Armas do Barão de Arêde Coelho. Imagem por Luís Camilo Alves.

Armas do Barão de Arêde Coelho. Imagem por Luís Camilo Alves.

Sem mais para hoje, fica reiterado o meu agradecimento ao Luís, cujas belíssimas armas ilustram esta publicação; e a todos uma boa leitura.

 

Boletim do College of Arms, 55

O College of Arms, Autoridade Heráldica da Inglaterra, do País de Gales e de boa parte da Commonwealth (Austrália e Nova Zelândia, por exemplo), produz um boletim trimestral com notícias sobre novas armas concedidas ou a conceder, palestras oferecidas por seus Reis de Armas e visitas aos arquivos da instituição.

 

Esta Newsletter é encaminhada por e-mail para todos que subscrevam, e também pode ser acessada no site do College. Tenho o hábito de ver os meus e-mails sempre de manhã cedo, e para isso, esta newsletter é muito boa, afinal sua periodicidade me dá tempo suficiente para limpar a minha caixa de entrada antes de recebê-lo. Sem mais delongas, ei-lo.

Boletim do College of Arms, 55

Eu pensei que nesta edição, que chegou ao meu e-mail em fins de julho, teríamos mais informações sobre as armas da Duquesa de Sussex, Meghan Markle, as quais foram adiantadas aqui no blog há algum tempo atrás, mas não. A Heráldica Inglesa segue completamente alheia ao mundo exterior e aos acontecimentos de “destaque momentâneo” na Inglaterra.

O texto inclui, como sempre, alguns desenhos de armas, informações sobre os afazeres dos membros do College, como o comparecimento do Garter King of Arms nos eventos da Ordem da Liga (ou Ordem da Jarreteira) no último mês de Junho.

Sociedade Brasileira de Heráldica, dois anos depois

Algumas vezes, ser heraldista é como cutucar o vespeiro de egos que são alguns grupos de pseudo-entendidos na nossa sociedade. Mas eu me aventuro. Eu faço. Eu me empenho um bocado pra ver alguma evolução. O Heráldica Brasil é minha forma de ensinar. Aliás, de tentar ensinar o que é tão difícil de aprender, e por certas vezes ainda me deixa confuso.

Mas dá trabalho, e dá trabalho especialmente porque heraldistas e pseudo-heraldistas tem um pouquinho de megalomania, de delírios de grandeza. Deve ser o sonho de ser Rei-de-Armas, ou algo assim. Há pouco mais de dois anos, escrevi uma publicação sobre a Sociedade Brasileira de Heráldica, uma pretensiosa associação brasileira.

Recentemente, no rescaldo que a discussão sobre a nobreza fake da internet, que eu falei no meu último post, voltei a pesquisar sobre como andam os seguidores desta associação… E não há mesmo nenhuma novidade. Pensei que depois desse tempo, o senhor presidente teria caído na real… Mas não. Eu não queria, mas o jeito vai ser eu apenas repetir a publicação de 2016 aqui, para assim mantê-los informados de que não mudou muita coisa por lá.


A Sociedade Heráldica Brasileira, em 4 de julho de 2016

Parece que apresentar as organizações heráldicas brasileiras tornou-se uma espécie de série deste blog. Depois do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil e do posterior mas não sucessor, o Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil. No post de hoje, a instituição é a Sociedade Brasileira de Heráldica, nome fantasia da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, Ecológica, Medalhística,Cultural, Beneficente e Educacional, que em minha humilde opinião, é a sociedade heráldica mais confusa que existe.

O que tem na página deles

Para começar, a sociedade só possui UM artigo sobre heráldica. E surpreendentemente é um artigo decente, apesar de pequeno. Detalha uma adequação heráldica das armas da cidade de São Paulo aos termos da Heráldica de domínio Portuguesa, assimilada pelos municípios brasileiros. E para por aí. Ainda na mesma página, quando sugere-se que o leitor conheça mais de heráldica, o link direciona-o para a Wikipédia, que num parêntese pessoal, não parece ser a melhor forma de aprender heráldica para o iniciante.

Prosseguindo pela visita ao site, não encontrei nenhum outro estudo sobre heráldica ou quaisquer ciências similares. O único brasão para além do que é abordado no artigo é o da própria sociedade,que é esquartelado de verde e ouro.

Armas da Sociedade Brasileira de Heráldica.

E aí acaba a presença heraldista visível desta instituição. Como eu sou um cara meio impulsivo quando o assunto é heráldica, dei a minha avaliação sobre esta instituição na página desta entidade no facebook. Não façam o mesmo, amiguinhos, eu acho até que peguei um pouco pesado, agora que releio.

A minha avaliação sobre a instituição rendeu, no fim das  uma mensagem do presidente desta organização, o senhor Galdino Cocchiaro. Foi a segunda pessoa que se aproximou de mim sobre o assunto da heráldica de domínio recentemente. Um senhor extremamente educado, pelos meus cálculos na casa de setenta anos, como a maioria dos heraldistas de mais idade. Fez a gentileza de me enviar o Estatuto da Organização.

ESTATUTO SOCIAL CONSOLIDADO – COMPLETO- MONARQUIA[850]

E foi com incrível tristeza que eu li que estava entre os propósitos da organização “Pugnar pela paz mundial”, contudo não havia nenhum “Promover e criar conteúdo para ensinar sobre brasões às gerações futuras”.


O que mudou em dois anos?

Nada. Lamentavelmente nada. A instituição segue oferecendo medalhas a torto e a direito, praticamente uma Ordem da Zabumba Inconclusa, contudo, agora deram um salto internacional, passando a oferecer medalhas também em Portugal. De heráldico mesmo… Nada. Nem mesmo compartilham os desenhos das honrarias, que já seria ao menos um início para que houvesse algo de heráldico ali. Em resumo, decepcionante. 

Além disso, depois que o presidente me disse que eu era uma esperança para a pátria, cerrou completamente as comunicações, não me respondenso por longos dois anos, e ao fazê-lo, em vez de mandar algo relativo à ciência heroica, mandou uma imagem voltada a política, de um grupo de políticos caindo de uma ponte.

Entretanto… estamos abertos ao diálogo!

Aqui ouve-se todo mundo. Portanto, se você faz parte desta Sociedade, entre em contato para apresentar algo! E se tem qualquer notícia de algum trabalho dessa associação em prol da Heráldica Brasileira, entre em contato! Eu ficarei certamente muito feliz de publicar algo sobre esta associação, desde que de fato tenha a ver com heráldica. Façam valer mais essa mexida no vespeiro dos egos.

Page 1 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén