Brasões de Família não existem

O título é auto-explicativo. Mas eu vou repetir, para ajudar a fixar. Brasões de Família não existem. Então não jogue o seu dinheiro no lixo.

A comunidade heráldica internacional é unânime, e nós no Heráldica Brasil também precisamos ser: Brasões são concedidos a pessoas, e não a famílias. O que existe é o brasão pessoal, que é passado de pais para seus filhos através de herança, como um livro, um quadro ou qualquer outra propriedade. Igualmente, isto vale também para os brasões das famílias reinantes nas monarquias modernas. Para a Heráldica, as armas não pertencem à família e muito menos ao estado, mas sim ao monarca como chefe de estado. Afinal governa-se em nome dele. E os seus parentes recebem brasões criados a partir do dele, como em todas as famílias armoriadas. E após a sua morte, as suas armas passam para o seu filho e sucessor no trono.

E como eu sei se tenho direito a um brasão?

Apenas através de pesquisa genealógica você pode descobrir se algum de seus ancestrais recebeu carta de brasão de algum monarca ou colégio heráldico. Caso não encontre, você não possui herança heráldica, o que não é um problema, afinal é o caso da maioria das pessoas. Não possuir parentes armoriados não te impede de criar o seu próprio brasão.

Entretanto, você NÃO PODE usar o brasão de alguém que não tem nenhuma ligação familiar com você. Isso é desonesto, além de ser de péssimo gosto.

O François Velde, idealizador do heraldica.org, cravou uma vez a seguinte máxima:

François Velde, sobre Brasões de Família.
Originalmente publicado no grupo Heráldica Brasil, no Facebook.

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  1. anon

    >Apenas através de pesquisa genealógica você pode descobrir se algum de seus ancestrais recebeu carta de brasão de algum monarca ou colégio heráldico. Caso não encontre, você não possui herança heráldica, o que não é um problema, afinal é o caso da maioria das pessoas. Não possuir parentes armoriados não te impede de criar o seu próprio brasão.

    Já que o Brasil é uma república que não regula heraldica, certos tratados de direito da idade média questionam a validade do direito de escolas e chefes de heraldica em regular/limitar a adoção de armas e em vários paises tradicionais (como a Holanda e consequentemente Africa do Sul) armas não serem limitadas, eu adotei armas próprias.

    Porém eu recentemente descobri através de pesquisas genealógicas que possuo ancestrais (não patrilineares mas de linhagem matrilinear) que possuiam armas.

    Obviamente não planejo adotar as armas de um ancestral de linhagem matrilinear que morreu no século 17, porém o fato de possuir tais ancestrais aumenta a legitimidade das minhas armas pessoais dentro da tradição heráldica portuguesa? Ou isso não muda nada por eu não ser o sucessor legitimo da linhagem patrilinear?

    • John Rafael

      Olá Anon,

      A legislação portuguesa fala em “quebras de varonia”, que são parentes mulheres na linhagem direta entre o requerente e o parente armoriado. Até onde eu sei, e admito que não sei muito sobre isto, com até três quebras, você pode manter as armas com uma diferenciação, de acordo com o regulamento português, que vem das Ordenações Manuelinas e Filipinas.

      No entanto, ter ou não um armoriado na linhagem, a meu ver, não influi em nada na adoção de armas pessoais próprias, como se diz, “ex novo”. Para as armas pessoais, vale apenas a sua própria idealização quanto à elas.

      • anon

        Hm, obrigado pela resposta. Fascinante esse conceito de “quebras de varonia”, vou dar uma pesquisada mas mesmo assim eu estou satisfeito com as minhas armas pessoais e não planejo adotar armas antigas de ancestrais. Pena que não existe mais nenhum site de armorial brasileiro,

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