Categoria: Blog de Armoria

Um esclarecimento

Brasão HB assinatura esclarecimento

 

Para esclarecimento:

Chegou ao meu conhecimento que perfil no Instagram do Heráldica Brasil (@heraldicabrasil) foi marcado, na tarde de ontem, em um story de um perfil de um Deputado Estadual de São Paulo. No entanto, gostaríamos de esclarecer que essa publicação é um engano, e pior ainda, um péssimo engano.

Infelizmente (ou felizmente) ontem eu estava envolvido em outros assuntos e não pude fazer a minha ocasional visita àquela rede social. Eis que, enquanto o nosso perfil foi marcado, o que consta do perfil do dito deputado é que o mesmo esteve presente a um encontro “daquela” associação de medalhados.

Sim, aquele grupo de nome extenso e estatuto ainda mais extenso. Aquela “sociedade” que de heráldica não tem nada, e que já foi citada por este blog uma vez. Se as senhoras e senhores são leitores deste humilde blog, sabem a que me refiro. Se não sabem, sigam os links, é uma leitura até bem divertida.

Portanto, foi apenas isso mesmo. Um lapso, e não de nossa parte. Reiteramos o esclarecimento de que não temos e nem queremos ter nenhum contato com essa instituição. Afinal, não duvido que até para isso ela nos cobraria.

Por favor não nos misturem com esse tipo de gente. Se ganhamos algum seguidor com o story deste deputado, que eles possam ao menos entender a verdade dos fatos e separar o joio do trigo, os que se dedicam à heráldica e os que apenas se servem dela para encher os seus egos e os seus bolsos.

Sem mais, agradecido pela atenção.

John Rafael
Administrador.

Sociedade Brasileira de Heráldica, dois anos depois

Algumas vezes, ser heraldista é como cutucar o vespeiro de egos que são alguns grupos de pseudo-entendidos na nossa sociedade. Mas eu me aventuro. Eu faço. Eu me empenho um bocado pra ver alguma evolução. O Heráldica Brasil é minha forma de ensinar. Aliás, de tentar ensinar o que é tão difícil de aprender, e por certas vezes ainda me deixa confuso.

Mas dá trabalho, e dá trabalho especialmente porque heraldistas e pseudo-heraldistas tem um pouquinho de megalomania, de delírios de grandeza. Deve ser o sonho de ser Rei-de-Armas, ou algo assim. Há pouco mais de dois anos, escrevi uma publicação sobre a Sociedade Brasileira de Heráldica, uma pretensiosa associação brasileira.

Recentemente, no rescaldo que a discussão sobre a nobreza fake da internet, que eu falei no meu último post, voltei a pesquisar sobre como andam os seguidores desta associação… E não há mesmo nenhuma novidade. Pensei que depois desse tempo, o senhor presidente teria caído na real… Mas não. Eu não queria, mas o jeito vai ser eu apenas repetir a publicação de 2016 aqui, para assim mantê-los informados de que não mudou muita coisa por lá.


A Sociedade Heráldica Brasileira, em 4 de julho de 2016

Parece que apresentar as organizações heráldicas brasileiras tornou-se uma espécie de série deste blog. Depois do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil e do posterior mas não sucessor, o Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil. No post de hoje, a instituição é a Sociedade Brasileira de Heráldica, nome fantasia da Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística, Ecológica, Medalhística,Cultural, Beneficente e Educacional, que em minha humilde opinião, é a sociedade heráldica mais confusa que existe.

O que tem na página deles

Para começar, a sociedade só possui UM artigo sobre heráldica. E surpreendentemente é um artigo decente, apesar de pequeno. Detalha uma adequação heráldica das armas da cidade de São Paulo aos termos da Heráldica de domínio Portuguesa, assimilada pelos municípios brasileiros. E para por aí. Ainda na mesma página, quando sugere-se que o leitor conheça mais de heráldica, o link direciona-o para a Wikipédia, que num parêntese pessoal, não parece ser a melhor forma de aprender heráldica para o iniciante.

Prosseguindo pela visita ao site, não encontrei nenhum outro estudo sobre heráldica ou quaisquer ciências similares. O único brasão para além do que é abordado no artigo é o da própria sociedade,que é esquartelado de verde e ouro.

Armas da Sociedade Brasileira de Heráldica.

E aí acaba a presença heraldista visível desta instituição. Como eu sou um cara meio impulsivo quando o assunto é heráldica, dei a minha avaliação sobre esta instituição na página desta entidade no facebook. Não façam o mesmo, amiguinhos, eu acho até que peguei um pouco pesado, agora que releio.

A minha avaliação sobre a instituição rendeu, no fim das  uma mensagem do presidente desta organização, o senhor Galdino Cocchiaro. Foi a segunda pessoa que se aproximou de mim sobre o assunto da heráldica de domínio recentemente. Um senhor extremamente educado, pelos meus cálculos na casa de setenta anos, como a maioria dos heraldistas de mais idade. Fez a gentileza de me enviar o Estatuto da Organização.

ESTATUTO SOCIAL CONSOLIDADO – COMPLETO- MONARQUIA[850]

E foi com incrível tristeza que eu li que estava entre os propósitos da organização “Pugnar pela paz mundial”, contudo não havia nenhum “Promover e criar conteúdo para ensinar sobre brasões às gerações futuras”.


O que mudou em dois anos?

Nada. Lamentavelmente nada. A instituição segue oferecendo medalhas a torto e a direito, praticamente uma Ordem da Zabumba Inconclusa, contudo, agora deram um salto internacional, passando a oferecer medalhas também em Portugal. De heráldico mesmo… Nada. Nem mesmo compartilham os desenhos das honrarias, que já seria ao menos um início para que houvesse algo de heráldico ali. Em resumo, decepcionante. 

Além disso, depois que o presidente me disse que eu era uma esperança para a pátria, cerrou completamente as comunicações, não me respondenso por longos dois anos, e ao fazê-lo, em vez de mandar algo relativo à ciência heroica, mandou uma imagem voltada a política, de um grupo de políticos caindo de uma ponte.

Entretanto… estamos abertos ao diálogo!

Aqui ouve-se todo mundo. Portanto, se você faz parte desta Sociedade, entre em contato para apresentar algo! E se tem qualquer notícia de algum trabalho dessa associação em prol da Heráldica Brasileira, entre em contato! Eu ficarei certamente muito feliz de publicar algo sobre esta associação, desde que de fato tenha a ver com heráldica. Façam valer mais essa mexida no vespeiro dos egos.

Como eu faço pesquisa heráldica.

Recentemente eu expliquei, pela enésima vez, que brasões de família não existem, e que as armas são passadas a pessoas. Isso acontecia através das Cartas de Brasão, como por exemplo a da Baronesa de Sertório, que eu publiquei aqui anteriormente.

Munidos desta informação, algumas pessoas vieram me perguntar como eu fazia para encontrar as armas que se relatavam ao seu sobrenome, para conferir se de fato tinham direito ou não a usá-las. Após responder umas quatro vezes, decidi deixar aqui um tutorial. Há mais livros, mais fontes, muitas delas estão em mau estado ou indisponíveis. Este é apenas um guia básico que vai permitir que você inicie a sua procura.

Um aviso. O Armorial Lusitano é dispensável.

É estranho quando você descobre que algo que você considerava essencial não é tão necessário para a sua pesquisa. Mas é isso mesmo.

Uma coisa que vocês precisam saber é: Praticamente todos os empreendimentos que vendem brasões são baseados em violação de Direito Autoral. O Armorial Lusitano não está em Domínio Público, então qualquer reprodução para fins comerciais é veementemente proibida. O que esses vendedores de imagens de brasões fazem é simplesmente copiar o texto que vem no Armorial Lusitano e desenhar o brasão com clip-arts semiprontos. O Armorial Lusitano também não fornece nenhuma prova ou indicação genealógica (ao menos não a edição que eu tenho acesso).

Em vez de idolatrar uma história falsa, e de perder tempo com o Armorial Lusitano por ora, vamos a fontes mais credíveis e o melhor, disponíveis de forma gratuita. Vamos começar procurando no “Armaria Portuguesa” de Anselmo Brancaamp Freire. Clicando na imagem acima, vocês acessam a Biblioteca do Heráldica Brasil, onde poderão achar um PDF desse livro.

Preparar e já!

Para exemplificar, vamos com um sobrenome aleatório: Gusmão.

Como vocês podem notar, há o brasão de um ramo de Gusmão na imagem acima. Mas vamos nos atentar o detalhe que eu marquei: C.B. em 1780 (A.H., 1563). Bem no começo do livro,nas abreviaturas, podemos ver que C.B. significa Carta de Brasão e que A.H. Significa Archivo Heraldico, mais especificamente, o Archivo Heraldico-Genealogico do Visconde de Sanches de Baena. Igualmente, está disponível na Biblioteca do Heráldica Brasil.

Sabemos então que este brasão de Gusmão aparece numa Carta de Brasão passada em 1780, e está registrado no Arquivo de Sanches de Baena sob o número 1563. Indo diretamente para este arquivo (também está no link acima), encontramos o seguinte registro.

A partir da imagem acima, já sabemos quem recebeu este brasão, e como usou. No caso, José Joaquim de Queiroz Argolo tinha um brasão esquartelado, um dos quarteis sendo de uma linhagem de Gusmão. A partir daqui, pode-se começar a pesquisa genealógica, seja até o armigerado, seja a partir dele.
E aqui termina a pesquisa heráldica.
A partir de agora, a pesquisa precisa ser genealógica. Não vou mais em frente porque não temos nenhum Gusmão na Família.

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