O legado heráldico da rainha artista

Feliz ano novo a todas e todos nossos improváveis seguidores! Que seja um 2024 cheio de bons tempos e surpresas felizes. E falando em surpresa, a rainha Margrethe II da Dinamarca, pegou o mundo de surpresa com o anúncio de sua abdicação na noite de ontem. Eu mesmo só fiquei sabendo agora de manhã, enquanto lia as notícias.

Monograma da Rainha Margrethe II da Dinamarca. Fonte: Kongehuset.

Sua Majestade terá reinado sobre a Dinamarca por 52 anos em 14 de Janeiro, quando finalmente irá se retirar para a aposentadoria. Aos oitenta e dois anos, decidiu deixar o trono após ponderar sobre sua saúde. Tendo feito uma cirurgia nas costas, em fevereiro passado, a rainha passou a ponderar a abdicação.

O legado da Rainha Artista

Em 14 de Janeiro, a Rainha Margrethe terá reinado sobre a Dinamarca por 52 anos, e é reconhecida por ter sutilmente modernizado a monarquia dinamarquesa desde o início do seu reinado. Nas palavras de Lars Hovebakke Sorensen, historiador dinamarquês, à AFP, Margrethe foi “uma rainha que uniu a nação dinamarquesa em um tempo de grandes mudanças: globalização, o aparecimento de um estado multicultural, crises econômicas nos anos 1970 e 1980, de novo de 2008 a 2015, e a pandemia. A base de sua popularidade é que a rainha é absolutamente não-política”.

A rainha é conhecida por ser uma amante das artes e da literatura. Pintora, ilustradora, estilista e cenógrafa, a rainha tem obras em museus e galerias no país e no exterior. O início de seu reinado, em 1972, foi marcado, inclusive, por uma revisão nas armas reais. De acordo com a página da casa real dinamarquesa, a mudança partiu do desejo da própria de não manter alguns títulos que seus predecessores tinham usado.

 

As Armas de Sua Majestade, a Rainha Margrethe da Dinamarca. Fonte: Kongehuset.

Façamos uma comparação com um desenho anterior. A imagem abaixo é de 1928, do Die Wappen Aller Souveranen Lander der Erde, livro com armas nacionais de noventa e cinco anos atrás. A edição na nossa biblioteca é uma cortesia do Ralf Hartemink, do Heraldry of the World.

Armas Reais da Dinamarca em 1928. Fonte: Die Wappen Aller Souveranen Lander der Erde, Verlag Moritz Ruhl, 1928.

As revisões heráldicas de Margrethe

O primeiro e o segundo quarteis não tiveram mudanças. O primeiro representa as armas do próprio Reino da Dinamarca, enquanto o segundo representa a Jutlândia do Sul, como é conhecida a parte dinamarquesa do Ducado de Schleswig, cujas armas foram mantidas em separado em consideração à região “cuja história difere grandemente do resto do país”.

A mudança ocorre, principalmente, no escudete. Ele é limitado às armas ancestrais de Oldenburg, a dinastia da qual a rainha descende: De ouro, duas faixas de vermelho, descartando as armas e os títulos da dinastia em terras alemãs: Holstein, Stormarn, Dithmarsch, Lauenburg e Delmenhorst.

Do último quartel, saíram as armas atribuídas aos títulos de Rei dos Vendos e Rei dos Godos, dando lugar às próprias armas dinamarquesas mais uma vez, como aparecem no primeiro quartel.

Em comparação com a versão mais antiga, mas não por ocasião da ascensão de Margrethe ao trono, há ainda mais uma diferença no terceiro quartel. Em 1944, já haviam sido retiradas as armas atribuídas à Islândia: De azul, um falcão de prata, do terceiro quartel, por ocasião da independência islandesa. As demais armas, representando a União de Kalmar, a Groenlândia e as Ilhas Faroe, permaneceram inalteradas, como um terciado.

Já agora, com uma nova coroação, será que veremos uma nova revisão com o novo rei, Frederik X? Não duvido, com tantas novidades!

Com informações da Kongehuset, BBC e France 24.

Poder e Dever em Heráldica

Esses dias eu estava lendo alguns textos sobre Heráldica na página da International Association of Amateur Heralds, e vi uma nota curtinha, do Presidente da entidade, Christian Green. É um tema tão básico, porém tão necessário, que eu me vi na obrigação de pedir-lhe autorização para traduzir e compartilhar com vocês, improváveis leitores. Ele trata de “poder” e “dever”. Mas não necessariamente nos sentidos “substantivos” da palavra.

Partido de vermelho e negro, uma coroa antiga rodeada de dez escudos, tudo de ouro.

Armas da IAAH. Desenho do heraldista russo Alexander Kurov.

O original só está disponível no grupo da IAAH no Facebook, então é meio difícil compartilhar. Mas passo a traduzir, esperando que esta adaptação faça jus ao conteúdo original:

Há uma diferença significativa entre “poder ou não poder” e “dever ou não dever”.

Eu “posso” ficar na chuva por uma hora sem um Guarda-Chuva. Eu “devo”? Não.

Em Heráldica, “pode-se” tudo: forma do escudo, esmaltes, figuras, suportes, tipo de elmo, usar armas concedidas a outras pessoas. Seja o que for, isso “pode” ser feito. Não existe uma autoridade heráldica mundial. As poucas autoridades nacionais existem tem meios limitados ou mesmo nenhum meio de lidar com “roubo” de armas (note-se o número de lojas vendendo “brasões de família”), assunção de armas ou desenhos terrivelmente ruins de artistas que cobram valores altíssimos por seus trabalhos.

“Mas eu devo?” Essa é uma questão de opinião, e nos círculos heráldicos, opiniões podem variar, dependendo da tradição heráldica à qual se é acostumado, bem como às convenções heráldicas gerais. Tomando as minhas próprias armas como exemplo:

Armas do Presidente da IAAH, Christian Green.

Elas foram confirmadas pelo College of Arms em 1985, então são 100% legais e estão de acordo com todas as convenções heráldicas consideradas válidas pelos arautos ingleses. Mas agora, eu vivo na Suécia, onde a “regra dos esmaltes” é levada consideravelmente mais a sério. Minhas merletas volantes de Ouro estão postas sobre um campo partido de prata e azul. Ouro sobre Prata? Sem problemas ou Choque e Horror? Meus amigos heráldicos suecos generosamente concordam que minhas armas passam como adequadas. Mas no fundo, eles não estão confortáveis. Mas continuando com os “pensamentos suecos”: Não há autoridade heráldica na Suécia, exceto para Heráldica Oficial e Cívica. Há um registro, que não tem status de oficial nem requerimentos para registrar; Pode-se simplesmente assumir armas. A situação é similar em muitas partes do mundo.

Mas “deveria” alguém simplesmente fazer o seu próprio caminho em heráldica, simplesmente porque “pode”? Eu sinto que, se alguém está sério sobre heráldica, este alguém deve seguir suas convenções o máximo possível, tendo em mente que elas podem variar de país para país. Este deveria, ao máximo, evitar de criar ou assumir armas que sejam propriedade de outros, ou que possam ser razoavelmente assumidas como sendo as armas de pessoas ou entidades conhecidas.

Deve-se, acima de tudo, ter em mente que heraldistas podem ser impiedosos em suas críticas de Heráldica percebida como má ou inapropriada.

A mensagem é clara, direta e óbvia. Não se deve tentar “burlar o jogo” só porque se tem conhecimento. Quem vive a Heráldica mais que todos os outros, sabe mais do poder que tem, e deve, o máximo possível, respeitar as suas particularidades, ou não será visto como tão diferente assim dos “aproveitadores”.

Imagem de capa do Podcast

Podcast Nova História da Arte: O que é Heráldica?

Semana passada, este redator que vos fala teve a honra de participar no Podcast “Nova História da Arte”, do amigo Luiz Carlos Zeferino, pesquisador em História da Arte que capitaneia o Esboçologia. Discutimos sobre conceitos básicos, um pouco de história, implicações na vida moderna e até alguns tabus e polêmicas.

Imagem de capa do Podcast

 

Para quem tiver uma horinha livre para ouvir a nossa conversa, basta dar um play aqui!

Para conferir mais episódios do podcast do Luiz, clique aqui.

Para mais conteúdos relevantes do Heráldica Brasil, confira nosso menu de conteúdo em À la carte.

Quanto custava um brasão no Império?

Há alguns dias, no Grupo do Facebook, perguntaram sobre o brasão de um nobre do Império. E em busca desta resposta, tropeçamos num dado interessante, sobre o qual decidimos nos debruçar hoje. A verdade é que no império, a Heráldica não era concedida a título gracioso, e nem todo nobre registrou armas para o seu título, pois não custava barato.

Em 1860, o registro de um brasão podia custar o equivalente até quase 600 mil réis, ou 600 gramas de ouro.

Fazendo a conta com o valor do preço do ouro nos dias de hoje, é uma soma astronômica, de fato. Há, sem dúvida, inúmeros fatores que temos que considerar aqui, entre eles a inflação, o preço do ouro, etc. etc. Mas eu deixo esses fatos econômicos para quem puder melhor tratar deles. Por ora, trabalharei com os dados coletados por Anibal de Almeida Fernandes, 4º neto do Barão de Cajuru, que nos traz algumas informações sobre a economia em seu “Estudo comparativo entre quatro fortunas do Império Brasileiro na década de 1860” (2011):

O primeiro dado para o qual atentamos é que “em 1860, 1 conto de réis (1:000$000=1 milhão de réis) comprava 1 kg. de ouro” e “para ser nomeado Senador do Império o interessado tinha que comprovar uma renda anual de 800$000.” Guardemos esta localização histórica e temporal.

O número de nobres sem brasão (como o Barão de Croatá) no Archivo Nobiliarchico Brasileiro supera por muito o de nobres armígeros.

Para não nos fixarmos no padrão-ouro, buscamos um outro estudo, que tratasse de valores. Um excerto da “Evolução dos preços e do padrão de vida no Rio de Janeiro, 1820-1930” (1971), da Revista Brasileira de Economia (FGV), nos apresenta alguns salários anuais: Um imigrante trabalhando numa fábrica de velas ganhava 10 mil réis mensais (em 1861), um Mestre Pedreiro livre ganhava 44.120 réis mensais(em 1863). Um professor de primeiras letras aprovado em concurso, no melhor dos casos, ganhava pouco mais que 40 mil réis mensais (500$000 anuais, de acordo com a Lei das Escolas de Primeiras Letras, de 1827).

O valor da carta de brasão era mais de dez vezes isso

Pedro Moniz de Aragão, diretor do Arquivo Nacional responsável por publicar o ‘Catálogo da Exposição de Modelos de Brasões e de Cartas de Nobreza e Fidalguia (1965), conta-nos:

“Segundo folha impressa, apensada ao Armorial Brasiliense de Luís Aleixo Boulanger, datada de 2 de Abril de 1860, eram os seguintes os preços então cobrados:”

Requerimento a S.M. O Imperador e passos a respeito: 30$000

Pergaminho (para álbum de quatro folhas): 32$000

Carta de Nobreza e Fidalguia:
Caracteres dourados: 180$000
Cópia das armas para a Secretaria do Império: 25$000
Dito, para o arquivo: 25$000
Composição de Armas Novas, conforme os preceitos da ciência: 25$000
Heráldica: 25$000
Encadernação em veudo: 50$000

Despesas Fixas:
Escrevente do Cartório da Nobreza: 40$000
Despacho à Secretaria do Império: 10$000
Emolumentos do Escrivão da Nobreza e Fidalguia: 50$000
Ditos do Rei de Armas: 50$000
Para Direitos no Tesouro: 20$000
Selo da Carta de Nobreza: 30$000

O total, para uma certificação completa, seria, portanto, de 592$000. Em baixo, sob uma linha à guisa supostamente de soma, aparece a importância de 366$000. A diferença pode se referir a custos relativos à carta, possivelmente às letras douradas e à encadernação em veludo, que somadas custariam 230 mil réis. Na Biblioteca do Heráldica Brasil, por exemplo, encontra-se a Carta de Brasão da Baronesa de Sertório, que possui uma capa aveludada, mas não possui letras douradas para além do nome do Imperador. Baseado nestas informações, parece correto afirmar que Boulanger oferecia cartas de brasão mais ou menos elaboradas para os solicitantes.

Uma cópia do Brasão da Baronesa de Sertório, concedido por Luís Aleixo Boulanger, está na Biblioteca do Heráldica Brasil.

Ainda assim, não era nada barato, afinal quem queria um brasão tinha de pagar todos os custos necessários. Fernandes (id.) nos conta, por fim, que dos 986 titulados no Império, apenas 239 tiveram brasões registrados.

Referências

FERNANDES, Anibal de Almeida. Estudo comparativo entre quatro fortunas do Império Brasileiro na década de 1860. 2011. Disponível em: https://www.genealogiahistoria.com.br/index_historia.asp?categoria=4&categoria2=4&subcategoria=56. Acesso em: 5 jun. 2022.

LOBO, Eulalia Maria Lahmeyer et al. Volução dos preços e do padrão de vida no Rio de Janeiro, 1820-1930 – resultados preliminares. Revista Brasileira de Economia, Rio de Janeiro, v. 25, n. 4, p. 235-266, 01 out. 1971. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rbe/article/view/67. Acesso em: 05 jun. 2022.

Pedro Moniz de Aragão (org.). Catálogo da Exposição de Modelos de Brasões e de Cartas de Nobreza e Fidalguia: colônia – reino unido – império. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1965.

Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II

Neste fim de semana, o Reino Unido comemora os setenta anos da coroação da segunda monarca mais longeva da história. A Rainha Elizabeth II chega aos 70 anos de reinado este ano. Está atrás apenas de Luís XIV, o Rei-Sol de França, que reinou por 72 anos e 110 dias.

E foi para esta coroação que as armas do Reino Unido sofreram a sua última modificação. Não no brasão em si, mas no desenho.

As novas “Bestas da Rainha”

Para a coroação de Elizabeth II, na capela de Westminster, em junho de 1952, o Ministério de Obras Públicas do Reino Unido encomendou ao escultor James Woodford uma série de dez esculturas de vários badges (insígnias) reais, que ficaram conhecidas como “As Bestas da Rainha”. Estas esculturas são inspiradas outras, que foram encomendadas pelo rei Henrique VIII, para decorar o seu casamento com Jane Seymour, em 1536.

“As Bestas da Rainha”, Kew Gardens, Richmond. Foto por Ramson.

 

Dentre as esculturas, a mais importante era o Leão da Inglaterra. Sendo a única besta entre as dez que tinha a cabeça coroada, sua função era a de sustentar as armas do Reino Unido. Porém havia algo de diferente. A Historiografia falha em definir se ela é fruto de conversas entre Woodford e o College of Arms, se foi uma pedido do Ministério ou mesmo uma ideia do próprio Woodford, porém o terceiro quartel estava diferente. A Harpa, que representa a Irlanda do Norte como parte integrante do Reino Unido tinha um desenho diferente, mais gaélico.

O novo desenho aproximou as armas do (teórico) Reino da Irlanda (de facto, a Irlanda do Norte) das armas da vizinha República da Irlanda, que por sua vez já não exibiam mais a harpa com cabeça humana e seios à mostra desde o ano de 1922.

Dois anos depois, em 1954, a Rainha expressou sua preferência pela harpa em estilo gaélico. Desde então as armas reais tem sido desenhadas neste estilo. Pode-se notar que a harpa antiga sumiu da maioria dos lugares.

Rainha Elizabeth chegando ao Epsom Derby, em 2015. Note-se a Harpa Gaélica na bandeira e na capota do carro.

Da mesma forma, também não vemos mais a harpa antiga nos brasões concedidos à sua descendência e familiares, que como se sabe, usam brisuras das armas da Rainha, como é o caso do Duque de Sussex e de sua Esposa:

As Armas da Duquesa de Sussex

As armas da Duquesa de Sussex, num escudo partido com as armas de seu marido, neto da Rainha. A harpa não tem um vislumbre de figura humana sequer.

A Heráldica é uma Arte

Porém, algo que não podemos esquecer é que a heráldica é uma linguagem que permite múltiplas representações artísticas do mesmo conceito (o brasão em si). Portanto, independente de como se desenhe a harpa, as armas do Reino Unido (fora da Escócia) seguem as mesmas:

Quarterly, I and IV Gules, three lions passant guardant in pale Or langued and armed Azure. II Or a lion rampant Gules armed and langued Azure within a double tressure flory-counter-flory Gules. III Azure a harp Or stringed Argent.

Esquartelado: I e IV de vermelho, três leões passantes guardantes de ouro, armados e lampassados de azul. II de ouro, um leão rampante de vermelho, armado e lampassado de azul dentro de uma orla dupla flordelisada de vermelho. III de azul, uma harpa de ouro, cordada de prata.

Ou seja, heraldicamente, a harpa de seios de fora não está errada. Vejam a foto do o Garter King of Arms. Já falamos sobre Sir Thomas Woodcock antes. Eu o considero, indubitavelmente, o homem mais importante da heráldica nos nossos dias. No tabardo, vestimenta oficial de sua função, a harpa antiga.

Fonte: Christopher Bellew. Foto por Hugo Rittson Thomas

Ficam as teorias e as especulações sobre a mudança no desenho. Poderia ter sido isto uma tentativa de aproximá-la da harpa da República da Irlanda, seja visando uma reaproximação? Talvez uma forma de estabelecer uma possível reclamação territorial? Ou quem sabe pode ter sido um impulso moralizador da própria rainha, buscando substituir a tão criticada nudez feminina e os tão polêmicos mamilos por uma solução mais pudica?

São pequenos detalhes como estes que fazem a Heráldica ser tão interessante afinal. Ela é, mesmo depois de tantos séculos, uma ciência viva e sujeita às mudanças do mundo.

 

5 livros grátis para aprender sobre Heráldica

Um bom livro é o melhor amigo que se pode ter, diz-se por aí. E se você quer aprender heráldica, não há outra forma tão boa quanto cercar-se de livros sobre o tema. Dizem alguns que a Heráldica é uma ciência morta, que seus desenhos estão ultrapassados e que seus princípios são coisa de gente velha. O que é, seguramente, uma bobagem.

Se fosse assim, não teríamos o College of Arms Britânico contratando novos passavantes anualmente. Não teríamos personalidades, cidades e outras pessoas físicas e coletivas assumindo armas. Não teríamos livros sendo lançados, e com certeza não teríamos páginas de Instagram e grupos de Discord, verdadeiras mecas digitais do público jovem, destinados à Heráldica.

Por isso existimos nós, os aficionados, catalogando e trazendo a público livros de heráldica. Por vezes, pinçando em sebos ou em arquivos digitais. Estes últimos, fazem menos danos ao nosso sistema respiratório. E é graças a estes, em sua maioria, que podemos compartilhar cinco dos melhores livros para aprender sobre a matéria.

Em tempo: Os livros que compartilhamos estão disponíveis legalmente na internet. Há inúmeros métodos de conseguir livros protegidos por direitos de autor, aí pelos torrents, trackers e fóruns da vida. Porém, por mais que este blog seja ávido defensor da cultura livre, respeitamos os direitos de autor e não compartilhamos pirataria de nenhum tipo. Assim, evitamos de sofrer represálias ou outros problemas jurídicos. Vida de pesquisador no Brasil não é nada fácil, não vamos piorar as coisas…

Sem mais delongas, vamos à seleção:

Introdução ao Estudo da Heráldica, do Marquês de Abrantes

A melhor obra introdutória sobre Heráldica disponível em Língua Portuguesa, escrita por D. Luiz Gonzaga de Lancastre e Távora, Marquês de Abrantes na Nobreza de Portugal.

Pessoalmente, gosto tanto deste livro que imprimi uma cópia física para mim. A edição é de 1992, e foi disponibilizada pelo Instituto Camões. A perfeita contextualização histórica do autor Marquês garante, de fato, uma leitura de altíssimo nível. Clique na capa do livro para baixar.

Princípios de Heráldica, de Vera Lúcia Bottrel Tostes

Tenho meus dois pezinhos atrás com Tostes, que se posicionou como herdeira do trabalho de Gustavo Barroso pela Heráldica Nacional, mas preciso dar o braço a torcer por seu trabalho. Apesar de alguns erros, que eu desconfio que procedem de transcrições malfeitas, e algumas informações desencontradas, o trabalho da autora carioca é bem ilustrado e segue sendo uma introdução valiosa para quem está começando!

Assim como o trabalho de Abrantes, este livro ainda não está em Domínio Público, e edições do original de 1983 estão a venda em sebos online, como a Estante Virtual. Felizmente para nós, o próprio Museu Histórico Nacional, onde Tostes foi diretora, disponibiliza acesso ao livro gratuitamente. Clique na capa do livro para acessar.

 

Archivo Nobiliarchico Brasileiro, dos barões de Vasconcelos

Nesta obra rara, datada de 100 anos atrás, portanto já em Domínio Público, duas gerações dos barões de Vasconcelos coletam a Nobreza Imperial. A obra foi editada em Lausanne e tem brasões desenhados po Fernand Junot.

Um dia, no futuro, quando eu não tiver mais nenhum trabalho ou universidade tomando o meu tempo, penso em preparar uma edição renovada e ampliada com outros brasões posteriormente descobertos em outros arquivos.

Enquanto isto não acontece, ficamos com a edição original, disponibilizada pela Biblioteca Digital Luso-Brasileira, uma iniciativa da Biblioteca Nacional. Clique na capa do livro para acessar.

English Heraldry with nearly five hundred illustrations, de Charles Boutell

Boutell é o livro básico da Heráldica Inglesa. Sua leitura é, até os dias de hoje, essencial. Ele é útil para aprender formas e conceitos inerentes à Heráldica das terras da Rainha. Foi com este livro que eu estudei para o meu exame de acesso ao nível de Associate Fellow da International Association of Amateur Heralds.

Para evitarmos problemas com o pessoal das editoras, a edição que estamos compartilhando aqui é a de 1908, revisada por Arthur Charles Fox-Davies. Esat é uma edição da Universidade da Califórnia, para livre acesso e download, disponibilizada pelo The Internet Archive. Mas visitando o site do próprio Internet Archive, é possível “emprestar” edições mais recentes, revisadas por John Philip Brooke-Little, um admirador do trabalho de Fox-Davies.

Clique na capa do livro para acessar a edição de 1908. Clique aqui para a edição de 1978, que requer, porém, uma conta no Internet Archive para um empréstimo temporário.

Tratado de Heráldica y Blasón, de Francisco Piferrer

Um dos grandes volumes da Heráldica Espanhola, até hoje citado por especialistas no assunto. É o mais antigo de todos nesta lista, tendo sido lançado em 1853, portanto há quase 170 anos. Ainda assim, é uma excelente cartilha para quem curte o idioma de Cervantes.

Ainda que a digitalização, disponibilizada pela Universidade da Califórnia através do Google Books, não ser a mais gentil com as ilustrações de José Asensio y Torres, este segue como o meu livro favorito de Heráldica Espanhola, por sua leitura bem fácil. Pode ser lido online, baixado ou até mesmo pelo celular, através do aplicativo Google Books. Clique na capa do livro para acessar.

Uma última dica

Um bom livro é o melhor amigo que se pode ter, diz-se por aí. Se você der uma pesquisada nesses links aí, vai conseguir encontrar livros tão bons quanto esses. Desejo bons estudos de Heráldica, e até o próximo post!

O que é um brasão?

Bem-vindos ao texto básico do Heráldica Brasil: “O que é um brasão?” É um texto um pouquinho mais longo, contudo compreender este conceito é importante para todo estudioso de Heráldica. Se vocês tiverem dúvida sobre qualquer conceito apresentado nesse website, voltem a esse texto e o leiam calmamente, porque se este conceito não ficar claro, muito do blog pode ficar meio nebuloso.

O que é um brasão? é uma pergunta que parece inócua. Tanto que a grande maioria das pessoas passa por toda a vida sem precisar pensar nela. Brasões não são grande coisa nos dias de hoje, pelo menos não para nós. Com a evolução das capacidades militares, carregar um escudo decorado para nos diferenciar não é necessário.

Apontamentos de Heráldica

Eu sou um estudante muito displicente. E um blogueiro ainda mais displicente. Nestes últimos oito ou nove anos em que estou pesquisando sobre brasões, nunca consegui sistematizar muito do meu aprendizado. E esse blog então… Vive bem parado. E já que eu pessoalmente não consigo fazer muito disso, hoje trago-lhes a sugestão de leitura de alguém que consegue: O Miguel Linhares, membro do nosso Grupo no Facebook iniciou no começo do ano um excelente blog, o Apontamentos de Heráldica. Se alguém aqui ainda não conhecia, peço que imediatamente encaminhe-se para a leitura por lá.

Armas do Miguel Linhares, do Blog Apontamentos de Heráldica

 

Sendo um excelente professor e tradutor, o Miguel tem trazido dezenas de conteúdos muito interessantes, que contribuem e muito para o estudo de Heráldica. Em apenas 10 meses de publicação, o blog já tem mais de 140 publicações. É algo que este displicente que vos escreve nem sonha! O Apontamentos de Heráldica se tornou rapidamente o meu blog preferido sobre a matéria, porque o autor é um grande estudioso da matéria. A partir da análise e da tradução de armoriais e tratados, especialmente em Latim, sobre Heráldica, o Miguel fornece subsídios valiosos para todos nós, que temos interesse na área.

É uma leitura obrigatória para quem quer aprender mais sobre isso!

Um esclarecimento

Brasão HB assinatura esclarecimento

 

Para esclarecimento:

Chegou ao meu conhecimento que perfil no Instagram do Heráldica Brasil (@heraldicabrasil) foi marcado, na tarde de ontem, em um story de um perfil de um Deputado Estadual de São Paulo. No entanto, gostaríamos de esclarecer que essa publicação é um engano, e pior ainda, um péssimo engano.

Infelizmente (ou felizmente) ontem eu estava envolvido em outros assuntos e não pude fazer a minha ocasional visita àquela rede social. Eis que, enquanto o nosso perfil foi marcado, o que consta do perfil do dito deputado é que o mesmo esteve presente a um encontro “daquela” associação de medalhados.

Sim, aquele grupo de nome extenso e estatuto ainda mais extenso. Aquela “sociedade” que de heráldica não tem nada, e que já foi citada por este blog uma vez. Se as senhoras e senhores são leitores deste humilde blog, sabem a que me refiro. Se não sabem, sigam os links, é uma leitura até bem divertida.

Portanto, foi apenas isso mesmo. Um lapso, e não de nossa parte. Reiteramos o esclarecimento de que não temos e nem queremos ter nenhum contato com essa instituição. Afinal, não duvido que até para isso ela nos cobraria.

Por favor não nos misturem com esse tipo de gente. Se ganhamos algum seguidor com o story deste deputado, que eles possam ao menos entender a verdade dos fatos e separar o joio do trigo, os que se dedicam à heráldica e os que apenas se servem dela para encher os seus egos e os seus bolsos.

Sem mais, agradecido pela atenção.

John Rafael
Administrador.

Apoio aos criadores

Senhoras e senhores, tendo recebido algumas denúncias de plágio e vazamento de material de criadores do grupo para mãos mal-intencionadas, a administração vem esclarecer algumas informações:

A questão é…

O Heráldica Brasil não compartilha e não compactua com pirataria de livros, ebooks ou materiais de desenho heráldico. Todo o material utilizado, citado e apresentado no blog ou nas publicações da administração cumpre as políticas de direitos autorais vigentes. Podemos citar como exemplo:

A imagem da capa do grupo (e também do blog) é uma página do Armorial de Bellenville, que está em domínio público há centenas de anos, e que foi digitalizado pela Biblioteca Nacional da França.

Armorial de Belenville, Folio 50.

Armorial de Bellenville, Folio 50. Digitalizado pela Biblioteca Nacional da França.

O desenho do brasão que adorna a capa e o avatar do grupo tem algum material proveniente do Wappenwiki e do Servidor do r/Heraldry no Discord, e foi produzido sob uma licença Creative Commons, corretamente informada.

Brasão do Heráldica Brasil com Assinatura

Brasão do Heráldica Brasil, construído com materiais do Wappenwiki e do r/Heraldry.

Outros materiais, como a Biblioteca de ebooks do Instituto Paraibano de Heráldica e Genealogia e os Cadernos do Barão de Arede foram gentilmente cedidos pelos detentores do copyright, e para estes, a administração mantém as devidas autorizações em arquivo.

Compreendemos que a pirataria na internet é prejudicial aos verdadeiros criadores do trabalho, e deste modo causa prejuízo, não apenas financeiro. Encorajamos as pessoas a distribuírem seus estudos e obras livremente, pelo bem da arte. Porém sabemos que nem sempre é possível, e então apoiamos os criadores desta forma.

Como decidimos lidar com isto, pelos criadores?

Reafirmamos incondicionalmenteo nosso compromisso de fornecer fontes o mais exatas possíveis para todas as nossas publicações, mesmo as retroativas. Assim, se encontrarem pelo blog alguma imagem ou citação sem fonte, não hesitem em nos comunicar e faremos a correção o mais breve possível. Nossa posição quanto ao plágio é completamente imutável e será mantida a despeito de quaisquer circunstâncias.

Ainda com isto em mente, a administração do Heráldica Brasil emendou as regras do grupo com o seguinte artigo:

Para garantir a integridade do Heráldica Brasil e proteger os direitos de autor dos criadores de conteúdo, qualquer membro que for denunciado por desviar informação com fins prejudiciais aos seus criadores e ao grupo será EXCLUÍDO IMEDIATAMENTE, sem direito a apelação.

Entendemos que esta medida não é suficiente para o fim do plágio, no entanto esperamos aliviar, ao menos um pouco, a ocorrência deste.

Sem mais, agradecemos a paciência.

A administração.

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